Cerimônia lembra a tragédia de Munique
De Xico Malta
Uma cerimônia organizada pela embaixada de Israel e o Comitê Olímpico Internacional, foi realizada segunda-feira passada, 19 de agosto, no hotel Hilton de Pequim, para homenagear os 11 atletas assassinados por terroristas palestinos durante a Olimpíada de Munique, em 1972.
Centenas de pessoas estavam presentes a cerimônia, dentre elas, o Ministro israelense das Ciências, Cultura e Esporte, Rabele Majadele, o ex-técnico do Chelsea, Avraham Grant, e o ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch (1980-2001).
A cerimônia foi encerrada sob a linda melodia de Hatikva, o hino nacional do Estado de Israel.
Grant, entrevistado pelo jornal Jerusalém Post, declarou que a tragédia deixou uma enorme cicatriz no mundo esportivo israelense. “A cerimônia foi comovente, eu me lembro muito bem daquele fatídico dia. No início, um boato circulou dizendo que todos tinham sobrevivido. Infelizmente, logo depois, nós fomos informados sobre a tragédia. A população israelense ficou profundamente traumatizada”.
O ministro Majadele comentou a propósito do grave impacto causado pelo massacre e revelou que tinha perdido dois bons amigos: “É impossível esquecer estes momentos terríveis, é a ocasião perfeita para nos lembrarmos que nenhum terrorista pode nos tirar do nosso caminho”.
As viúvas de dois atletas, Ilana Romano e Ankie Springer, afirmaram que importantes lições tinham que ser tiradas do horrível atentado. Elas também pediram ao COI para que parassem de ignorar a morte de seus maridos.
“Parece que foi ontem. Nossa missão consiste, neste momento, lembrar o mundo o que aconteceu em Munique. Deveríamos ter organizado esta cerimônia dentro do estádio olímpico. Este atentado terrorista foi um capítulo horrível na história dos Jogos Olímpicos, e é por isso mesmo que pedimos ao COI que nunca esqueça as vitimas dessa tragédia. Muito pelo contrário, as novas gerações devem tirar uma grande lição deste triste evento”, desabafou a viúva Ankie Springer.
O presidente do Comitê Olímpico Israelense, Zvi Varshaviak, alertou o COI para que ouvissem a súplica das viúvas: “Estes onze atletas vieram a Munique realizar seu sonho e representar o Estado de Israel em um dos eventos mais importante do mundo. Depois daquele dia, nos deixamos à seguinte mensagem: “Esquecer jamais”!
A tragédia
Uma semana após o inicio dos Jogos Olímpicos de Munique, no dia 5 de setembro de 1972, às quatro horas da manhã, oito homens armados se infiltraram na vila olímpica, adentrando nos quartos do bloco 31 onde dormia a delegação israelense.
Dos quinze atletas presentes, dois foram mortos na tentativa de resistir aos intrusos, o terceiro conseguiu escapar pela janela e outro conseguiu fugir um pouco mais tarde.
Onze israelenses ficaram em poder dos terroristas.
Com a chegada da policia, o líder dos seqüestradores entregou uma carta com algumas reivindicações, com isso, todos ficaram sabendo a origem dos terroristas: “Setembro Negro”, facção terrorista da OLP, cujo nome foi inspirado no massacre dos grupos armados palestinos pelo rei Hussein da Jordânia em setembro de 1970.
De acordo com a tradição de Pierre de Coubertin, o COI quis se mostrar apolítico.
Com o anúncio do atentado, o presidente do COI pressionou as autoridades alemãs para que levassem os seqüestradores e seus reféns para fora da vila olímpica. O objetivo era bem claro: recomeçar os Jogos mais rapidamente possível, o restante não importa!
Apressadas, as autoridades alemãs negociaram com os terroristas a sua ida para o Egito.
Na noite do dia seguinte foi organizada a transferência dos terroristas e dos israelenses ao aeroporto. Na chegada dos dois helicópteros na pista de pouso, de maneira totalmente improvisada, a polícia tinha posicionado snipers em diversos lugares.
A tragédia teve início com a desastrosa abordagem realizada pela polícia de Munique na tentativa de libertar os reféns. Três dos oito terroristas foram mortos. Os outros sobreviventes, encurralados, tiveram tempo de jogar uma granada dentro de um dos helicópteros e de atirar no segundo onde estavam amarrados os israelenses. Todos foram mortos. Um policial alemão também morreu durante a troca de tiros. Três terroristas sobreviveram e foram capturados pelos policiais.
Os Jogos Olímpicos foram suspensos e foi feita uma homenagem pela memória das vítimas dentro do estádio olímpico. Depois de uma pausa de 34 horas, o COI ordenou o reinicio dos Jogos.
Vídeos sobre o acontecimento:
http://www.youtube.com/watch?v=sNfIiXHiwLc



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Sem querer justificar o injustificável ( qualquer ato terrorista contra civis é um crime injustificavel ), pois o atentado contra os atletas israelenses em Munique foi, sem dúvida alguma, um ato de intolerância. mas também pode ser considerado uma reação à violência oficial praticada por Israel desde 1967, quando começou a invasão dos territórios palestinos, que até o atentado, era ignorado pela imprensa e entidades mundiais. A resposta do governo israelense ao atentado não foi a retirada dos territórios indevidamente ocupados, mas o recrudescimento da intolerância oficial.
Comentário de alessandro — 08/20/08 @ 13:22
Caro Alessandro,
Como você bem disse, uma coisa não justifica a outra.
Abraço
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 17:49
Sem querer justificar o injustificável ( qualquer ato terrorista contra civis é um crime injustificavel ), mas por que os palestinos não cometeram atentados contra Egito e Jordânia, países que ocuparam indevidamente seus territórios antes de 1967?
Comentário de David — 08/20/08 @ 14:53
Caro David,
Os refugiados palestinos foram massacrados e expulsos pelo rei Hussein da Jordania em setembro de 1970, episódio que ficou conhecido por “setembro negro”. O exército jordaniano entrou no campo de refugiados palestinos e mataram cerca de 3.500 pessoas e deixaram 11.000 feridos. A causa da repressão jordaniana foi pelo fato dos fedayins palestinos fugiram da Cisjordarnia e terem se instalado na capital da Jordânia, Amman sendo ela a futura capital da resistência palestina. As milicias palestinas quiseram derrubar o rei Hussein do poder e transformar a Jordania em uma base de ataque a Israel.
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 18:09
Vergonha.Recordando este episódio bárbaro , lembro destes imbecis das torcidas organizadas(todas) que brigam,matam.Qual a diferença?Neste conflito entre árabes e judeus todos perdem e nenhum tem razão.O pior é que é briga entre irmãos.Vai entender…
Comentário de Nicolau de Cerqueira Cesar — 08/20/08 @ 15:13
Espero que um dia encontrem a paz
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 18:10
Bela e sempre justa homenagem, Xico.
E mesmo que eu concorde com o colega acima, Alessandro, de que a política do governo israelense em relação à Palestina nem sempre tenha sido (nem seja) a ‘ideal’ e a mais ‘leal’, nada justifica, no meu entender, o terrorismo.
O mais curioso é que eu, com sérios problemas de memória de infância, me lembro muito bem deste atentado. Foi, realmente, um choque, um evento trágico. Só não me lembrava (e acho que nem poderia, tinha só 5 anos) que o COI tinha feito (para variar) este papelão e nem que tudo tinha terminado em tamanha tragédia pela incompetência da ação policial, orquestrada por interesses outros do COI. Obrigada por todas estas precisões.
E ainda não vi o filme do Spielberg…
Preciso colocá-lo na lista.
Ah, e te agradeço pela menção ao hino de Israel, que eu não conhecia e que acabei de ver/ouvir no youtube. Realmente lindo, pelo menos, a melodia, já que fora ‘nefesh’, eu não entendi lhufas!! rs*
Grande abraço,
d.
Comentário de DeboraH — 08/20/08 @ 15:21
Cara Deborah,
Recomendo o filme de Spielberg, Munique. Muito interessante.
Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 18:12
Parabens pelo blog.Sou seu leitor assiduo.Gostaria tambem que voce escrevesse sobre o genocidio palestino feito pelos sionistas(judeus nacionalistas) desde a decada de 1930.
Voce sempre coloca os judeus como vitimas mas esquece que eles mataram o Cristo e se apoderaram das riquezas do mundo-em todo pais rico do planeta existe um estado judaico inserido nele(comunidades judaicas}.
Um abraço
Comentário de mario — 08/20/08 @ 17:12
Mario,
Os judeus não mataram Cristo, injusto culpá-los por deicídio. Milhares de judeus foram mortos pela inquisição sob esta falsa acusação. Vale lembrar que naquela época seria mais do que improvável o sinédrio sob o comando de Caífas ter ordenado a crucificação de Jesus. Este tipo de execução era praticada somente pelos romanos, Jesus era judeu e descendente da casa de David, rezava nas sinagogas dos judeus fariseus, freqüentou o templo de Jerusalém e o chamou de casa de Deus, José de Arimateia e Nicodemos, dois sumos sarcedotes do Sinédrio e colegas de Caífas tentaram defender Jesus até o último instante, vale lembrar que Jesus foi enterrado no túmulo pago por José de Arimateia. Os doze apóstolos eram judeus da Galileia e observavam todos os rituais judaicos. A judéia e a Galiléia estavam sob o domínio do Império Romano, o único com poder de determinar a morte de qualquer pessoa. Vejamos então, quando Poncius Pilatus lavou as mãos, quis se omitir diante do problema que ali estava e ordenou que o povo decidisse entre Barrabás ou Jesus, o público presente era composto por Zelotes, facção religiosa judaica que tinha Barrabás como líder, foi então decidido que o crucificado seria Jesus. Podemos culpar todo um povo por causa dos gritos de uma dezena de pessoas? E os romanos não foram os grandes responsáveis? Nem vou comentar sobre a tua declaração de que os judeus se apoderam das riquezas do mundo pois é o mesmo discurso utilizado por Hitler, tsares russos e inquisidores para justificar o extermínio do povo judeu.
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 18:46
Mário, o texto, como você pode observar na resposta é do titular e grande amigo Xico Malta. Eu sou totalmente contra a política dos assentamentos e outros atos de Israel contra os palestinos. Mas este é um blog de esporte, evito política, e não houve atentados contra os palestinos em eventos esportivos. E para eu tratar do tema palestino, precisaria falar de todos os países por onde o povo palestino passou e não se adaptou ( ou não se adaptaram a eles ). Sou totalmente favorável ao Estado Palestino. Antes de encerrar, deixo claro que não acredito em paz sem educação conjunta, sem que as crianças judias israelenses e palestinas crescam como amigas.
Abraço!
Comentário de Vitor Birner — 08/20/08 @ 19:18
Caro Vitor,
Assino embaixo!
Grande Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 20:05
Não quero entrar no mérito político do acontecido, prefiro direcionar minha indignação ao COI, que na época deveria tomar a única medida esperada, ou seja, cancelar os jogos, dando-os por encerrados em respeito as vítimas. O que se viu foi que o COI estava mais interessado com a conclusão dos jogos do que com a barbárie.
Em tempo, nenhuma raça, nenhum povo, ninguem em especial foi ou foram responsável pela morte de Jesus, até porque não poderiam, pois ele mesmo falou antes de ser preso “acaso não sabes que eu poderia dar ordens a anjos para que viessem em meu socorro?”. Jesus não era só o Filho de Deus, ele era o proprio Deus encarnado. E graças a sua morte, nós todos (raça humana) fomos justificados diante de Deus.
Saudaçõs tricolores, o verdadeiro.
Wilson Finamore
Comentário de wilson finamori — 08/20/08 @ 20:28
Perfeito!
Grande abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 21:28
Realmente, infeliz esse atentado e só contribui para que o dito “espirito olimpico” nada mais é do que marketing esportivo e $$ na era moderna.
Sem contar que tinha de ser justamente na Alemanha…. não damos sorte mesmo…
Agora, importante salientar também que essa fato desencadeou uma série de assassinatos do Mossad, até chegar naquele fatídico dia na Noruega.
Comentário de PHW — 08/20/08 @ 20:51
O filme Munique de Steven Spielberg retrata bem esse episódio que voce citou em relação ao Mossad.
Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/20/08 @ 21:29
Xico. Hoje visitando o blog do Paulinho, onde tem um post mencionando relatorio das investigações sobre a MSI, notei um trecho, onde menciona-se que os investidores da MSI, financiavam grupos extremistas islâmicos, e até Bin Laden.
Pois bem, achei estranha essa acusação, pois todo mundo sabe que um dos investidores, aliás um dos acusados, vive em Israel sem qualquer problema, é o tal de Badri.
Como esse texto seu, versa sobre Israel, achei oportuno pedir sua opinião sobre essa aparente incoerência, uma vez que o referido blog, ao ser perguntado sobre essa contradição (a meu ver), não publicou minha pergunta, isto é, censurou.
Afinal, Israel, da guarida a um investidor Russo, que financia seus inimigos?
Não tem um furo enorme ai, nessa informação?
Abraços e antecipadamente agradeço a atenção.
Comentário de Rogerio — 08/21/08 @ 0:38
Caro Rogério,
O falecido Badri Patarkatsishvili, de origem judaica, dividia sua vida entre Israel e Londres. Há relatos que Boris Berezovski, sócio de Badri e por intermédio dele, tenha financiado a rede terrorista de Bin Laden na Chechênia. Pois é Rogério, o dinheiro tem mais poder que qualquer outra coisa, infelizmente…
Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 18:48
Parabéns Xico pelo esclarecedor texto. O filme do Spielberg é bom, mas acaba entrando demais na política ao invés de retratar os fatídicos acontecimentos daquela olimpíada. (Como fizeram alguns dos comentaristas aqui).
Ós atentados nas Olimpíadas de Munich, falo isso sem um estudo histórco aprofundado, marcaram a transformação do anti-semitismo clássico para o sentimento bastante difundido Anti-Israel. E nada mais enfático do que o assassinato de esportistas numa olimpíada para mostrar o quão retrógado esse sentimento é, que, em geral, não tem nada a ver com os palestinos…
Comentário de Iossi — 08/21/08 @ 5:20
Caro Iossi,
Sugiro o livro de Leon Poliakov “Do anti-sionismo ao anti-semitismo”, o qual relata a transformação citada em teu comentário.
Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 19:12
Como é triste quando esporte se mistura com a política.
Comentário de Alan — 08/21/08 @ 5:28
Caro Alan,
Esta mistura sempre existiu e creio que dificilmente deixará de existir.
Abraço
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 19:13
Só mais uma coisa: o ministro israelense, dos esportes, presente na cerimônia é arabe. Foi um pouco criticado por errar em seu discurso a quantos anos aconteceu o atentado. Mas ele é um exemplo de que é possível se viver em paz.
Comentário de Iossi — 08/21/08 @ 10:54
Esperemos que a paz chegue um dia!
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 19:14
Em tempo Xico. Os investidores da MSI, que estão estabelecidos em Israel, e que tem inclusive parte dos direitos dos jogadores da MSI, tem lá a GLOBAL SOCCER AGENCIES LIMITED, dos mesmos investidores, e o nome parece que é Pihni (ou coisa assim) Zahavi.
Não é um paradoxo, o relatório apontar que os investidores financiam terroristas arabes, e tenham escritorios, e negociem jogadores em Israel?
Comentário de Rogerio — 08/21/08 @ 14:06
Existe um documentario fantastico sobre a acao do Setembro Negro nas Olimpiadas de 72, chama-se “Um dia em Setembro”. Vale a pena conferir. A cada Olimpiada deveria-se lembrar os mortos de Munique, reafirmando-se o compromisso do esporte contra a intolerancia. Alias, em Pequim aconteceu um fato vergonhoso, um atleta do Ira se recusou a competir com um israelense.
Qto ao velho bla-bla-bla anti-semita de alguns leitores do blog, que coisa lamentavel.
Comentário de Vania — 08/21/08 @ 15:29
Cara Vania,
Obrigado pela dica do documentário.
Abraço
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 19:15
É sem dúvida uma das páginas mais negra do esporte mundial.ainda mais com o COI mais preocupado com os jogos do que com a vida dos atletas.Um abraço!
Comentário de AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 08/21/08 @ 19:05
Caro Augusto,
Concordo plenamente contigo.
Abraço!
Comentário de Xico Malta — 08/21/08 @ 19:18