Cruzeiro campeão da Taça Libertadores - 30/07/1976
De José Renato Sátiro Santiago Jr.
O Cruzeiro conquistou seu primeiro título da Taça Libertadores da América com uma campanha excepcional.
Foram 11 vitórias em 13 jogos, com 46 gols marcados e 17 sofridos.
Na primeira fase o Cruzeiro eliminou o Internacional, Olímpia e o Sportivo Luqueño.
Importante destacar o espetacular 5 a 4, em 7 março, contra o Internacional no Mineirão.
Nas semifinais a equipe mineira eliminou o LDU e o Alianza. Foram 4 vitórias em 4 jogos.
As finais foram contra o River Plate.
Na primeira partida, no Mineirão, venceu o River por 4 a 1, em 21 de julho de 1976.
Na segunda, o River deu o troco e venceu por 2 a 1 no Monumental de Nuñez, em 28 de julho de 1976.
Aquela foi a única derrota do Cruzeiro na competição.
Como o saldo de gols não servia como critério de desempate, foi necessário outro jogo, o do desempate, em campo neutro.
Abaixo, para explicar o jogo, usei um comentário feito pelo leitor do blog, Fabiano Costa, em 19 de junho de 2008.
“A terceira partida foi disputada em Santiago, no Chile, e Cruzeiro e Ríver fizeram uma das maiores finais da história da Libertadores. Chances de gol surgiram de ambos os lados durante a partida. O Cruzeiro saiu na frente com um gol de pênalti marcado por Nelinho e abriu vantagem de 2 a 0, num golaço de Eduardo, aos 10 do 2º, após grande jogada de Ronaldo. O River diminuiu três minutos depois, numa cobrança de pênalti e aos 17 os argentinos, mais uma vez, ludibriaram a arbitragem. Numa falta, próximo a área do Cruzeiro, os jogadores de ambos os times discutiam a formação da barreira, quando Sabella cobrou rápido para Crespo que, livre na área, recebeu e marcou o gol de empate. Os jogadores do Cruzeiro cercaram o árbitro, que validou o lance cobrado sem a sua autorização. Aos 43 do 2º, o Cruzeiro deu o troco. Palhinha sofreu falta, próximo à área, e quando todos aguardavam a cobrança de Nelinho, o ponta Joãozinho, na malandragem, não esperou a autorização do árbitro, e colocou de curva, no ângulo. Foi o gol do título. Na comemoração, o preparador físico Lacerda chutou a bola pra cima, e levou um soco de Lonardi. O massagista Guido partiu pra cima e revidou. Alonso veio atrás e ambos trocaram socos. Enquanto a polícia separava a briga, a torcida chilena em maioria no estádio e que apoiava o Cruzeiro gritava “Brasil! Brasil! Brasil! Na seqüência o árbitro expulsou Alonso, do River e Ronaldo, do Cruzeiro. O árbitro deu 9 minutos de descontos e o Cruzeiro segurou o resultado tocando a bola. Foi o primeiro título internacional da história do Cruzeiro e que rompeu um tabu de 13 anos que incomodava os clubes brasileiros na Copa Libertadores.
No final da partida os jogadores cruzeirenses se ajoelharam no centro do gramado e rezaram em memória do companheiro Roberto Batata. Nos vestiários, mesmo com o título garantido, o exigente Zezé Moreira não perdeu a oportunidade de demonstrar a sua autoridade e bronqueou com Joãozinho o chamando de moleque e irresponsável. É que o cobrador de faltas do time era Nelinho que, naquele ano, havia se tornado o maior especialista ao superar a marca de 22 gols marcados pelo ídolo Tostão. Em Minas Gerais, a torcida cruzeirense fez um dos maiores carnavais fora de época da história.”
Eis a ficha técnica:
Cruzeiro 3 x 2 River Plate
Data: 30 de julho de 1976
Local: Estádio Nacional, Santiago do Chile
Juiz: Alberto Martinez (Chile)
Expulsões: Ronaldo Drumond e Alonso
Gols: Nelinho aos 24′do Primeiro Tempo; Ronaldo Drumond aos 10′, Oscar Mas aos 14′, Urquiza aos 19′ e Joãozinho aos 43′do Segundo Tempo.
Cruzeiro: Raul, Nelinho, Morais, Darcy Menezes, Vanderley, Ronaldo Drumond, Wilson Piazza, depois Osires, Zé Carlos, Eduardo, Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira.
River Plate: Landaburu, Comelles, Lonardi, Ártico, Urquiza, Sabella, Merlo, Alonso, González, Luque, Oscar Mas, depois Crespo. Técnico: Angel Labruna.



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O lance desse gol é incrível. O Nelinho coloca a bola no chão e ao invés de tomar distância dando passos de costas e olhando para o gol, ele da as costas à bola e caminha tranquilamente. Nisso vem o joãozinho correndo e emenda o chute. Um jogador ao lado (não sei quem) poem as mãs na cabeça desesperado com aquilo, mas a bola entra e o Cruzeiro é campeão!
Comentário de João Martins — 07/30/08 @ 14:55
Caro José Renato
Sendo você o homem das estatísticas neste blog e eu curto muito ver os números, datas e histórias dos campeonatos que você pesquisa e coloca aqui para o nosso deleite, gostaria de sugerir a você que pesquisasse o nº de gols marcados pelos grandes clubes brasileiros em toda a história. Parece-me que o TRIcolor está próximo de atingir a marca de 9.000 gols. Seria interessante vermos estes números. Ficarei muito grato.
Um abraço!
Comentário de Márcio Augusto — 07/30/08 @ 15:48
Ouvir falar em Libertadores ainda doí,ainda mais com LDU no meio.Mas esse posts históricos são bem legais.Um abraço!
Comentário de AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 07/30/08 @ 17:52
O detalhe interessante desse terceiro gol é que antes da cobrança, Nelinho e Piazza ficam brigando/discutindo sobre a cobrança de falta (não se exatamente Pizza queria cobrá-la, o que eu acho difícil, ou definir sobre o que fazer na cobrança, mas discutiram). Quando Nelinho vira para tomar distância, Joãozinho cobra no ângulo. Foi irresponsável, mas foi fantástico.
Comentário de Régis — 07/31/08 @ 9:34
Eita que coisa maravilhosa!
Esse post foi maravilhoso!
Vou até imprimir isso aqui!
Esse meu CRUZEIRO tem uma bela história não tem não?
Comentário de Vidigal — 08/06/08 @ 1:39
A malandragem e o jogo bonito do Cruzeiro derrotaram a forte e aguerrida equipe do River Plate . Vale lembrar que neste terceiro jogo não jogaram Fillol (contundido) e Perfumo, ex Cruzeiro (suspenso)pelo lado argentino , e Jairzinho(suspenso) pelo lado do Cruzeiro. Assisti esse terceiro jogo no youtube em 2 partes vale a pena conferir…….
Comentário de mario felipe jardim — 10/13/08 @ 18:59
Favor informar sobre um jogador de nome Silva, que jogava noi Cruzeiro em 1976.
Grato,
Osmar Miras
Comentário de Osmar Miras — 10/20/08 @ 22:24