La segunda de La Furia!
De Felipe Santos – convidado especial
Espanha 1 x Alemanha 0
Joachim Löw colocou a Alemanha num 4-5-1 em campo. O quinteto do meio era nada mais do que um quadrado, formado por Frings e Hitzlsperger na cabeça-de-área, com Schweinsteiger e Podolski na frente. No meio, livre, Ballack, do jeito que gosta de jogar, mesmo à meia-bomba.
Parecia que ia dar certo.
Porque, logo aos 3 minutos, Sergio Ramos recuou errado para Puyol. Klose, único atacante germânico, conseguiu interceptar e entrou na área. Mas o zagueiro do Barcelona conseguiu prensá-lo, fazendo com que o chute saísse fraco.
Aparentemente, o mapa da mina alemão era pela direita, com o início irreconhecível de Sergio Ramos em campo.
A mudança na postura espanhola era urgente.
Porque o 4-1-4-1 fazia com que o meio-campo, ponto forte da equipe de Luis Aragonés, ficasse distante demais de Fernando Torres, que, por sua vez, ficava isolado na frente e repetia, por enquanto, as performances pálidas dos últimos jogos.
Logo após a pressão alemã, o jogo começou a virar.
Porque os cabeças-de-área Xavi e Iniesta (duas esplendorosas atuações) começaram a fazer entradas pela diagonal e inversões de jogo, dando preferência pelos ataques na esquerda, aberta, devido a nova atuação fraca de Lahm. Sem contar a utilidade de Cesc Fàbregas, desta vez desde o início em campo, e a segurança de Marcos Senna, sozinho na cabeça-de-área e cobrindo à perfeição a linha defensiva espanhola.
Parecia que ia dar certo.
Porque, aos 14 minutos, Iniesta apareceu pela esquerda, após passe do parceiro Xavi, e cruzou. Metzelder, sem querer, resvalou com a coxa na bola. Lehmann – que teve boa atuação, diga-se de passagem – já ia saindo do gol, mas pôde voltar e aproveitar a elasticidade para evitar o tento espanhol.
A Alemanha mudou o jogo para poder voltar a dominar a partida? Não.
Porque, se Xavi e Iniesta não diminuíram o ritmo, Fàbregas começou a aparecer em campo. E, com três meias a municiá-lo, Fernando Torres conseguiu subir de produção.
A prova veio aos 22 minutos: Xavi progrediu pela direita, recuou um pouco a bola para Fàbregas, e este cruzou. Torres conseguiu subir mais do que Mertesacker e Metzelder, cabeceando na trave de Lehmann.
E, como se necessitasse provar novamente que havia melhorado no jogo, “El Niño” Torres tratou de apagar as más atuações dos últimos dois jogos aos 33 minutos, quando, após um passe de Xavi, conseguiu vencer Lahm, na corrida, no corpo-a-corpo e na persistência. E só precisou tocar por cima de Lehmann: 1 a 0.
A Alemanha até tentou se doar mais no jogo – Ballack até cortou o supercílio, após disputa aérea com Marcos Senna -, mas a defesa espanhola conseguiu superar o nervosismo e manteve a segurança na área.
Para o segundo tempo, Joachim Löw já procurou consertar os erros: tirou Lahm (sem dúvida, o ponto fraco germânico na final, talvez em toda a Euro) para a entrada de Jansen.
O início tedesco até foi mais auspicioso e deu a esperança de uma reação.
Tanto que Löw converteu o 4-5-1 inicial em um 4-4-2: aos 13 minutos, Hitzlsperger saiu para a entrada de Kevin Kuranyi.
Mas, nesse momento, Luis Aragonés provou o quanto ajudou no desempenho espanhol na Euro.
Porque o “Sábio de Hortaleza” fez duas alterações que pareciam polêmicas no início, mas se provaram úteis ao fim do jogo: aos 18 minutos, tirou Fàbregas e colocou Xabi Alonso, que poderia ajudar Marcos Senna a espantar a pressão alemã que certamente viria, por melhor que o hispano-brasileiro estivesse atuando (e como estava!).
E, três minutos depois, colocou Santi Cazorla no lugar de David Silva, discreto.
A entrada de Cazorla ajudou a manter o ritmo no ataque. E a de Xabi Alonso quebrou a espinha alemã, diminuindo bastante a intensidade do ataque. Por mais que Schweinsteiger tentasse, Ballack chamasse o jogo para si e a dupla Klose-Podolski arriscasse, a linha Sergio Ramos-Puyol-Marchena-Capdevila parecia imperturbável. Fora, é claro, este estupendo Casillas, o melhor goleiro da Euro.
Aos 33, Torres sai para a entrada de Güiza, sempre útil no torneio.
E o Pichichi da última temporada espanhola quase foi decisivo no gol que mataria o jogo se tivesse vindo: aos 36, após cruzamento de Cazorla, ele ajeitou de cabeça e Marcos Senna não conseguiu escorar. Até merecia, pela segurança e por tão incansável que foi.
Mesmo que não tenha vindo, o segundo gol não foi necessário. A pressão alemã foi tão desorganizada que, diga-se, nem parecia a sempre estóica Alemanha, que jamais desiste antes do apito final.
Apito final que foi trilado por Roberto Rosetti aos 48, encerrando 44 anos de fracasso.
Apito final que mostrou: se a Espanha não ganhara nada nestes 44 anos, foi pela falta das centelhas técnica e vencedora, jamais por medo.
Pois nenhuma das duas faltou, na Euro.
A geração que, dizia-se, estava sendo preparada para apenas “jogar bem” na Euro e estourar definitivamente na Copa de 2010, estourou agora. Geração de Fàbregas, Sergio Ramos, os Davids Silva e Villa (artilheiro da Euro, com 4 gols), “El Niño” Torres (ou melhor, “El Hombre” Torres), Xavi, Iniesta, da defesa menos vazada (3 gols). Reforçada pela experiência de Puyol e do capitão Casillas, o primeiro goleiro a erguer o Troféu Henri Delaunay.
Enfim, a geração do bi europeu. Da taça que se uniu à Euro-64, que era “La unica de La Furia”, conforme escrito na história do torneio, neste blog.
E a gente que achava que sem o Raúl a Espanha não era nada, hein?



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Venceu o melhor time na final. Apesar de em alguns instantes o time espanhol ter abusado de faltas grotescas para o nível da EURO.
Agora ainda me pergunto, será que futebol alemão está tão ruim de atacantes para continuar convocando o Kuranyi?
Comentário de P.H.Weberbauer — 06/29/08 @ 19:01
Grande Espanha! Com dois títulos, iguala-se à França e só fica atrás da Alemanha.
Comentário de Conrado — 06/29/08 @ 19:02
BIRNER !!!
A ESPANHA FOI BRILHANTE SEM DUVIDA , MAS ACHO QUE FALTOU UMA EXALTAÇÃO MAIOR DO MARCOS SENNA,DA SUA PARTE , AFINAL SE A ESPANHA BRILHOU, A ENERGIA QUE GEROU ESSE BRILHO TEVE COMO GERADOR , O NOSSO MARCOS SENNA !!!
Comentário de SALIM — 06/29/08 @ 19:51
RECEBEU ??
Comentário de SALIM — 06/29/08 @ 19:51
Uma geração nova que finalmente venceu. Sera que agora teremos considerar a Espanha uma verdadeira candidata a copa do mundo? Talvez seja cedo mais não creio que essa seja a ultima vez que ouvimos falar desse grupo de jogadores.
Comentário de Andre Scalco — 06/29/08 @ 19:54
Birner. E a audiência? Com certeza não deve ter vencido a fantastica Série-A, hora, afinal de contas, é a Série-A…
Comentário de Paulo Luciano da Silva — 06/29/08 @ 21:00
Birner,foi legal ver a Espanha ser campeã europeia.É um time de boa técnica e competitivo, o Marcos Sena encaixou perfeitamente no meio da Fúria.Pode ser que acabe com esse negócio de amarelona.
Um abraço!
Comentário de AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 06/29/08 @ 21:00
A Espanha jogou como se fosse a batalha final de uma terrível guerra.
A Alemanha jogou como se fosse apenas mais uma batalha.
Grandes abraços.
Sergio Junior - Ribeirão Preto.
Comentário de Sergio M. Teixeira Jr. — 06/29/08 @ 21:21
FALEI QUE IA TOMA UMA CACHAÇA 51 SE A FURIA FOSSE CAMPEA E NAO É ELA FOI E TOMEI 3 COPO
Comentário de CAIO FC — 06/29/08 @ 21:22
SE GOSTA BIRNER DA CACHAÇA 51?
Comentário de CAIO FC — 06/29/08 @ 21:32
Para o desespero do sr. Birner, que adora o futebol pragmático e de resultados, a Alemanha nem viu a bola hoje. A Espanha foi muito superior e senão contrariar a tradicão de quem ganha a EURO, pode se dar bem em 2010. Gostei também da vitória do El Cid ‘Marcos Senna’… Se grande parte dos jogadores brasileiros que jogam no exterior participassem das selecoes onde jogam, seriam mais felizes. Não sei pq tem o sonho bobo de jogar na selecão da CBF para enfrentar Venezuela, Canadá, Haiti, Andorra e outras potências futebolísticas. Será que o sr. Marcos Senna disputaria uma copa do mundo pelo Brasil ? Agora toda imprensa brasileira lembra que ele é brasileiro… Quando comeu o pão que o diabo amassou no comeco da carreira na Europa, ninguém nem sabia quem ele era. Mas isso é Brasil..sil…sil…
Comentário de antonio sergio — 06/29/08 @ 23:46
Assisti o jogo pela televisão israelense com os comentários de ninguém menos que Avram Grant. Pelo menos para comentar sobre o Balack. Ele disse que ele não jogou na posição em que gosta e sabe jogar melhor no primeiro tempo. Isto é ele estava jogando de costas pro gol, sendo que ele prefere vir de trás. Deve ser isso que ele disse a Grant quando este era o treinador do Chelsea.
Comentário de Iossi — 06/30/08 @ 9:24
Vitor, algo curioso nas transmissões da final da Eurocopa feita pelos canais Sportv e Rede Record: Enquanto no gc do Sportv aparecia os nomes ALE e ESP no português e de forma correta, na Rede Record alguém cometeu uma falha: colocaram o nome da Alemanha como GER e o da Espanha aparecia o ESP em português como deve ser. A falha é que deveriam seguir o Sportv e colocar o nome ALE e não GER. Se fosse para manter o gc padrão da Eurocopa em inglês, então porque não deixaram GER x SPA (de Spain)?
Claro que isso não influencia em nada na emocionante partida exibida pela Rede Record.
Para melhor visualizar isso, eu postei no meu blog http://comentariosdatelevisao.zip.net a foto dos dois gcs de placar.
Um abraço…
Comentário de Ricardo Mendonça Sandes — 06/30/08 @ 13:32
A Espanha mereceu vencer a Euro, pela qualidade de seus jogadores, um time jovem e de qualidade ofensiva. Não mexeram muito no time titular (raro em se tratando da Espanha) e jogaram bem o torneio inteiro.
Comentário de Alexandre — 06/30/08 @ 14:03
Vitor, como pode alguém como a Lacombe ser comentarista de futebol? Acho que a inclusão feminina deva ocorrer, mas dessa forma é forçar a barra. A Soninha comenta bem, mas a titular da record é insuportável. Não sabe nada e tem um tom de voz irritante. Queria muito assistir ao jogo e tive que lutar contra a tentação de mudar para a globo e ver o campeonato brasileiro. A Renata Fan é mais equilibrada do que os tres ou quatro patetas do Jogo Aberto.
Um abraço.
Comentário de Sandra — 06/30/08 @ 15:47