Rei Pelé abaixo de alguns súditos

11 Mar

Geral

Por Rodrigo Monteiro de Castro

Com a indicação de Pelé para compor o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, a CBF atinge dois objetivos: garante a presença do melhor “garoto-propaganda” existente, o que é bom para o sucesso do empreendimento, e empresta certa legitimidade ao Comitê, algo para inglês ver. E como é importante, no futebol, que inglês veja! E goste!

A função de divulgador do evento poderia ter sido contratada de maneira diversa, sem o seu envolvimento direto na organização da Copa. Teria ele, neste caso, a vantagem de fazer as viagens que tanto lhe agradam – ele tem razão de gostar de viajar -, sem o risco de complicar-se, caso apareçam estórias de mau uso do dinheiro público, favorecimentos pessoais etc.

Se isto se verificar – torçamos para que seja apenas um infundado sentimento paranóico -, Pelé não poderá dizer que não sabia de nada, que não era responsável, que cumpria apenas uma função de “embaixador”, que a culpa é do assessor etc. pois conhece – ou deveria conhecer -, melhor do que ninguém, seus novos aliados.

A aposta é muito alta: seu nome, sua reputação estão em jogo. E neste jogo ele não veste a “10”; nem mesmo titular é.

Para CBF, por outro lado, a indicação faz toda diferença. Implica uma tentativa de legitimação de um sistema político-administrativo que há muito é questionado.

Agora, como já anunciou o próprio Pelé, ele terá uma participação diferente. Mas diferente do que, de quem? Imagino eu, de Platini ou Backenbauer, estes, verdadeiros comandantes das Copas organizadas em seus respectivos países.

O Brasil terá, pois, um herói diferente em seu Comitê, um herói sem poder – talvez uma imagem de si próprio -, que, no passado, tanto se diferenciou, inclusive de Platini ou Beckenbauer, por sua arte, pela divindade.

Pena que a diferenciação atual o torne menor do que seus inferiores, seus súditos.

Escrito por Rodrigo Monteiro de Castro às 0:34 Rodrigo Monteiro de Castro

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2 Comentários »

Boa Noite,

Amigos,

Vou dizer em poucas palavras a respeito do Pelé, ele como jogador foi muito bom, mas fora do campo é uma lastima e horripilante.

Abraços

Anderson Carpejane

Comentário de Anderson Carpejane — 03/11/08 @ 0:43

 

Rodrigo,

você que é advogado e tem conhecimento sobre leis, há alguma maneira legal de tirar o Ricardo Teixeira do poder?

Abraços.

Comentário de Gabriel C. Santo — 03/11/08 @ 1:56

 

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