O maltratado e obsoleto futebol brasileiro

11 Fev

Política

De Vitor Birner 

Compra e venda de atletas é excelente negócio. Poucas atividades são mais rentáveis.

Curioso é que cada vez mais empresários investem e lucram com isso, enquanto os clubes usam atletas emprestados, em muitas oportunidades sem pagarem nada além do salário.

A situação é no mínimo inusitada.

Os investidores têm o produto e os cartolas administram as lojas.

Eles dependem uns dos outros, mas enquanto empresários apenas escutam críticas, os dirigentes trabalham sob pesada pressão.

Prestam serviços diariamente, ouvem reclamações, são cobrados em todos lugares que vão, ganham má fama, enfrentam extenuantes viagens e não recebem nada em troca.

Mas amam passar por isso!!!!!!

Basta observar as guerras de bastidores na luta pelo poder quando acontecem eleições nas grandes agremiações.

O cenário é absurdo nos tempos atuais.

Irreal!

A “parceria” proporciona lucro espetacular aos empresários, e a cartolagem se dedica à dura labuta no clube por paixão e satisfação pessoais.

Não recebem nada pelo trabalho.

E não querem, de forma alguma, outra situação!

Não admitem a transformação dos times em empresas e têm calafrios quando alguém cogita a abertura do capital dos mesmos.

Será que as 64 empresas que iniciaram em 2007 a negociação de ações na Bovespa estão erradas?

Para não recomeçar numa coluna de esporte a eterna discussão sobre qual a melhor política econômica para o mundo, subo no muro, pulo a resposta e lembro que na Bolsa de Valores de São Paulo tem empresa e empresário que compram e vendem o pé de obra dos profissionais de futebol.

São alguns dos donos do dinheiro que os mandatários dos clubes afirmam que faz falta.

Mas mesmo assim, o que funciona para eles, não serve para os cartolas. Os melhores times brasileiros contratam quem não tem mercado fora do país, ou quem está no fim de carreira é quer jogar no Brasil.

Enquanto isso, as principais revelações do futebol pentacampeão mundial ficam com os empresários. Quando lhes interessa, emprestam por um tempinho para algum grande time do Brasil em troca de valorização de mercado.

Mas mesmo assim, com o pires na mão faz décadas, a cartolagem não perde a pose.

Seja por arrogância ou visão curta, o conservadorismo “inexplicável” mantém o futebol brasileiro no passado. Estoura tudo no coração do torcedor, que na verdade é quem realmente ama o time do coração e nas contas do Governo, pois não faltam agremiações que devem impostos.

Mas como o tema é futebol, viva a alegria de ter craques em destaque nos principais centros do futebol mundial.

Aqui, na periferia do mundo da bola, fica o maior berçário de gênios do esporte.

Só que os meninos crescem e só pensam em sair do país assim que puderem.

E o Ministério dos Esportes não toma as devidas providências.

E o presidente de “esquerda” se locupleta com fotos ao lado das estrelas do vencedoras do esporte.

E seu amigão Ricardo Teixeira perambula pelos meandros do poder com status de chefe de Estado.

E vai ter Copa do Mundo aqui em 2014*.

E nada disso vai mudar?

*A Copa, como todos sabem, será 2014 e não em 2012.

Escrito por Vitor Birner às 3:10 Vitor Birner

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29 Comentários »

“Transformação dos times em empresas”? “Abertura do capital dos mesmos?!” “Ações na Bovespa?!?!” O que é isso, companheiro? O que os camaradas do partidão vão dizer de idéias tão burguesas?

Comentário de Conrado — 02/11/08 @ 3:54

 

Olá Birner!
Sempre leio seu blog pois gosto bastante.
Parabéns….!
Esse comentário é só pra informar um pequeno erro de digitação….vc colocou “E vai ter Copa do Mundo aqui em 2012.”….lembrando, 2014…
Até mais.

Comentário de Leonardo — 02/11/08 @ 6:21

 

Generalizar é irresponsabilidade, mas já está comprovado que muitos cartolas “recolhem” o pagamento pelos “serviços prestados” ao clube que comandam, por isso não querem largar o osso.

Comentário de davidoff — 02/11/08 @ 7:20

 

Vitor. Em toda a discussão sobre Clube Empresa no Brasil, um item nunca é discutido. Exemplo. Eu, resolvo comprar o Corinthians Paulista. Ofereço 2 Bilhões de dolares pelo clube. Pergunta. A quem direriono o cheque??Quem é dono do Corinthians Paulista, o Sao Paulo, Flamengo??? Na Europa foi fácil os clubes se tornarem propriedades de pessas físicas, pois com a guerra, os ativos estavam jogadas as traças e os donos da granaq(familia agneli, etc) adquiriram os clubes a preço de banana,

Comentário de fernando rocha — 02/11/08 @ 7:24

 

A Cpoa eh em 2014.

Comentário de Joao Paulo Benini — 02/11/08 @ 8:32

 

Fala Cara, concordo contigo!!
soh poderia explicar melhor o pq dos clubes terem tanto medo de virarem empresas!!! xDD
mais uma coisa..rs..Copa aqui é em 2014… =DDD
arruma o texto!!! ;)

Comentário de Husky — 02/11/08 @ 8:33

 

Birner, nenhum clube de futebol tem condições de abrir capital hoje. Seria um fiasco tremendo. Acho que esse assunto merecia uma pesquisa maior da sua parte.
Abrir capital é uma forma de captar recursos. Mas não é, necessariamente, a melhor forma. É uma operação extremamente complexa, custosa, e de alto risco. Claro que eu gostaria muito de ver meu Palmeiras no Novo Mercado da Bovespa, enquadrado nos mais altos níveis de governança corporativa. Agora, isso está muito, mas muito, muito mesmo, longe de acontecer. Para qualquer clube, hoje, seria necessário, no mínimo, 5 anos de preparação para começar a pensar em um IPO.
Enquanto esse dia não chega, acredito que existam formas mais fáceis, baratas e de menor risco para a captação de recursos.
(Só finalizando, gostaria muito de ver os jornalistas esportivos lidando com uma empresa de capital aberto. Seria, no mínimo, engraçado).
Abs!

Comentário de Rodrigo Caetano — 02/11/08 @ 8:48

 

“E vai ter Copa do Mundo aqui em 2012.”

A copa nao eh em 2014? rs

Comentário de henrique — 02/11/08 @ 9:07

 

birner entao cite times europeus superios hoje a times brasileiros por favor nao deixe em branco

Comentário de CAIO FC — 02/11/08 @ 9:19

 

a copa será em 2014

Comentário de LoêZ — 02/11/08 @ 9:25

 

Não seria em 2014, ou estou ficando louco?

Comentário de loxas — 02/11/08 @ 9:26

 

O que é pior nessa história é que quando um jogador promissor é vendido ao Shakthar donestk os cartolas dizem que não é culpa deles, pois não há como competir com os europeus. E eu fico pensando como um time da Ucrania pode ter mais dinheiro do que um time que se diz um dos mais populares do pais do futebol? é o mesmo que imaginarmos que um time de Beisebol do Brasil tivesse mais dinheiro que um americano; é algo irreal, depois reclamam que os estadios estão vazios e que a TV não almenta as cotas.

Comentário de rafael — 02/11/08 @ 10:40

 

grande birner tricolor, parabens pelo trabalho, jornalista serio, imparcial, realista. Fala o que tenque ser dito, feito!

Parabens pelo trabalho e a fenomenal parceria com grandes craques, como paulinho, rui branquinho…

PS: nesto post vc confundiu o ano da copa, sera em 2014…
é tanta coisa na cabeça que ate atrapalha haha!

sucesso e saude! e rumo ao tetra!

Comentário de renato martinez — 02/11/08 @ 10:46

 

Um reparo, Birner: a Copa no Brasil será em 2014. :)

Comentário de pHoDerosoMAX — 02/11/08 @ 11:01

 

2012? tá maluco?

Comentário de Ivam — 02/11/08 @ 11:38

 

Não é porque a cartolagem brasileira é aquilo que sabemos que alternativas como essa “mercadista”, de transformar clubes em empresas, devam ser analisadas sem espírito crítico. Para começar, a ótima reportagem da revista Piauí sobre o futebol inglês mostra algumas conseqüências disso, apesar de ter crescido muito o lucro dos times. Se é só dinheiro que interessa, pode ser sim um bom caminho. Mas futebol é mais do que um simples produto de prateleira, não é vender bichinhos de pelúcia ou pensar apenas em um espetáculo de entretenimento. A saída por aí é tão ruim quanto os nossos cartolas.

Comentário de Carcamano — 02/11/08 @ 12:27

 

Meu caro Victor, se eu fosse você arrumaria logo a Copa no Brasil para 2014, antes que o “chefe” leia. Seria terrível… Grande abraço e parabéns pelo blog.

Comentário de Luciano — 02/11/08 @ 12:45

 

Meu caro Vitor, se eu fosse você eu mudaria a Copa do Mundo no Brasil para 2014, antes que o “chefe” Kfouri leia… Grande abraço e parabéns pelo blog.

Comentário de Luciano — 02/11/08 @ 12:55

 

Caro Birner sou um grande entusiastas de transformar um time em empresa com ações na Bolsa. A grande diferença entre um clube e uma empresa de capital fechado que resolve ir a mercado, é o incentivo dos “donos”. No caso de uma empresa, sempre que se faz um IPO os donos enchem o bolso de dinheiro, até porque são os donos. No caso dos clubes isto já não acontece, principalmente porque não se tem dono de um time. Para que isto funcione teríamos que ter uma presidência/diretoria magnânima que tomasse esta atitude sem nenhum benefício para sí. E como você mesmo menciona no seu post, os interesses pessoais dos dirgentes não deixam isto acontecer.

Comentário de Terencio Trindade — 02/11/08 @ 12:57

 

Já que a lei permite,porque um clube não imita a Traficc e monta outro clube de fachada , com dinheiro de “investidores”(não precisa revelar os nomes), compra jogadores , coloca no time e quando vender , no lugar de 20.% repassa 80.0%.O clube lucraria e os “investidores” tambem.Não sei os nomes dos que compões este fundo Traficc e não existe legislação proibindo que eles invistam em varios times na mesma competição?Voce não acha estranho?

Comentário de Nicolau de Cerqueira Cesar — 02/11/08 @ 12:59

 

“Transformação dos times em empresas”? “Abertura do capital dos mesmos”?! Ações na Bovespa”?!?! O que é isso, companheiro? O que os camaradas do Partidão vão pensar de idéias, como direi?, tão burguesas?

Comentário de Conrado — 02/11/08 @ 13:09

 

Birner, acho que vc devia pesquisar um pouco mais sobre essa história de abrir capital. Primeiro pq hoje nenhum clube do Brasil tem condições para tal iniciativa, e nem terá pelos próximos 5 anos, no mínimo. Segundo pq a abertura de capital é uma operação extremamente complexa, custosa e de alto risco. É uma ópção para angariar recursos? Sem dúvida! Mas talvez não seja a melhor. Existem outras formas, mais baratas e mais rápidas, de capitalizar.
Para a CBF, então, acho que não valeria a pena mesmo. A entidade não precisa de recursos, já que não faz muitos investimentos…
Na verdade, acho que só compensaria para os clubes que quisessem construir ou reformar estádios. Mas, olhando para o mercado imobiliário, talvez seja melhor procurar empresas que estejam dispostas a investir na construção, sem ter de recorrer à bolsa.
Obviamente que eu gostaria muito de ver meu Palmeiras no Novo Mercado da Bovespa, adotando os mais altos níveis de governança corporativa. Mas isso está muito longe de acontecer.
E só para finalizar, eu gostaria muito tb de ver os jornalistas esportivos lidando com uma empresa de capital aberto. Seria, no mínimo, engraçado.
Abs!

Comentário de Rodrigo Caetano — 02/11/08 @ 13:34

 

Birner, me desculpe, achei que tinha dado problema com meu primeiro comentário e mandei outro com o mesmo teor. Se der apaque o segundo, por favor.
Abs!

Comentário de Rodrigo Caetano — 02/11/08 @ 13:39

 

Eu tenho 28 anos e invejo quem pôde ver seus ídolos como Pelé, Zico, Tostão, Nilton Santos e etc. vestirem a camisa de seus clubes por tantos anos.

Infelizmente, hoje em dia não se pode mais se acostumar com os jogadores porque a cada ano as escalações mudam quase que completamente.

A culpa não é dos jogadores atuais, se eu estivesse no lugar deles também sairia do país para ganhar um salário melhor e viver num lugar mais seguro.

Mas eu acredito que com um mínimo de organização e honestidade, os clube brasileiros podeiram competir em termos de remuneração com qualquer clube do mundo exceto uns 3 da Inglaterra, 3 da Itália e 2 da Espanha.

Comentário de Eric — 02/11/08 @ 17:04

 

Sempre volto ao meu lugar comum.

É a lei, Victor. Somos um país pobre, exportador de talentos.

E fizemos uma legislação que tira dos nossos clubes, uma possível receita na exportação dos jovens que formamos, para dar aos clubes do exterior, que contratam quase de graça (vide casos de KK e de Breno).

De quebra, aumentamos em muito, a receita dos bolsos de pessoas que sempre estão atrás de lucro fácil, comercializando jogadores. Claro, dá mais lucro que super mercado e, sem gerar empregos nem tributos. Vide Sonda.

Para quem argumentava que a lei do passe se assemelhava à escravidão, digo que a nova também, pois os traficantes de “jogadores” estão aí, utilizando “aviões negreiros”, defendidos pela lei que lhes deve ter custado muito, em termos de looby.

Não quero a volta da lei antiga. Mas que a atual tem que melhorar em muito, para retornar a receita aos nossos clubes e ao Banco Central do Brasil, lá isto tem.

Receita fácil, sem despesas e sem imposto, é um mar de rosas para os espertos protegidos por um lei esdrúxula.

Comentário de Luiz Antonio — 02/11/08 @ 17:04

 

Será que não “recebem nada por isso”?Vc acredita mesmo que os dirigentes de clubes(inclusive de clubes,cujos presidentes foram apanhados com a boca na botija…ou na boca do cofre e nada lhes acontece ou aconteceu ou acontecerá)..?Vc sabe que o Guaratinguetá é de propriedade do Cesar Sampaio e do Rivaldo?Porque nenhum jornalista esportivo toca no assunto,já que daria uma ótima reportagem!!!!Não…saiu num jornal uma matéria(terá sido paga?) noticiando ,com fotos e tudo mais,queFulano de Tal era o presidente do Guará…mas os nomes de Cesar Sampáio e Rivaldo foram omitidos.Duailib,Nesi Curi e Andres Sanches,Kia etc estão aí…os ex do Palmeiras que ficou provado…o Pimenta do São Paulo…a venda do Careca é turbulenta e nebulosa até hoje…..o Figger deita e rola …sei não…era bom alguem investigar,mas se até o Tuma que disse que ia fazer e acontecer,fez regime e sumiu(literalmente)…sei não….

Comentário de luiz Roberto vidal — 02/11/08 @ 18:17

 

Victor Biner, você está cada dia mais parecido com Juca Kfouri.

Comentário de Roberto — 02/11/08 @ 20:25

 

Vitor, este teu texto foi profundamente irônico, não?

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Não é possível que vc. ache mesmo que os caras enfrentam esta ‘dura vida de cartola’ sem ganhar nada em troca (ou melhor, quase tudo…).

Abs.

Comentário de deborah — 02/11/08 @ 21:18

 

Birner… iremos morrer e isso aqui nao vai melhorar. Passa pela mentalidade do brasileiro que acha legal sermos alegres, tomar cerveja na rua, desrespeitar semaforos, xingar pedestres, furar fila na bilheteria e etc e achar que isso tudo nos faz um povo divertido. Aqueles que mandam em tudo isso, nao querem mudar pois como disse o sr. cazuza transformar tudo num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro… ou todos podem ganhar… e o povo acha divertido.

Comentário de antonio sergio — 02/11/08 @ 22:39

 

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