Marketing do bem
De Rui Branquinho
Poucas instituições tem tanta força e penetração no povo brasileiro quanto os clubes de futebol. Não há recanto do país onde não haja torcedor desse ou daquele time. Para muitos – inclusive eu – é difícil explicar o país ou entender seus habitantes sem ao menos resvalar no assunto futebol.
Muitos são os fatos que comprovam essa influência e, talvez, o maior deles seja a presença da paixão pelo esporte nas duas pontas da vida: nascimento e morte.
O símbolo do clube na porta do quarto da maternidade ou a primeira roupinha do recém nascido já marcam o início da “devoção” por determinadas cores. Já na hora do adeus, os mais fanáticos não abrem mão do pavilhão do clube de coração em cima do caixão.
Tatuagens, a escolha do nome de algum grande ídolo para o filho, o banimento de determinadas cores de times adversários durante toda a vida, a economia feita a duras penas para comprar esse ou aquele novo item do Clube, a paixão demonstrada nas acaloradas discussões sobre futebol …… isso e muito mais comprovam com sobra minha afirmação.
E por isso mesmo, pela relevância e, em última análise, pelo poder que os Clubes acabam exercendo em nossa população, entendo que há pouquíssima participação deles junto a sociedade na busca de objetivos extra-futebol.
Explicando melhor: Clubes não se envolvem com campanhas de conscientização, não estimulam de maneira organizada a alfabetização, a doação de órgãos, o voto ou qualquer outra iniciativa. Quando muito um ou outro atleta é chamado para participar do comercial da Campanha do Agasalho de determinado ano e é só. E aqui não estou falando de atletas, o assunto é o Clube.
Alguns até tem preocupações sociais e ajudam essa ou aquela instituição de maneira assistencialista mas nada planejado e com objetivo futuro. O São Paulo – sei que outros times fazem isso mas cito porque acompanho esse trabalho – constantemente consegue doações dos principais licenciados da sua marca e faz caravanas a orfanatos, creches e lares. Trabalho louvável e que não deve parar.
Mas me refiro a algo maior. Será que um Clube não poderia e deveria fazer mais pela sua cidade, estado e país? Eu tenho certeza que sim, e você?
Além de devolver um pouco a sociedade, tornaria a marca das agremiações algo ainda mais valioso. Maior que 90 minutos, coisa séria e relevante que poderia trazer influências para lá de benéficas, inclusive para o próprio mundo do futebol.
Essa responsabilidade na sociedade, obrigaria o dirigente a ter mais cuidado e respeito quando estivesse a frente de seu clube.
Torcedores selvagens/bárbaros veriam que o mundo não se resume ao futebol e talvez isso servisse para ao menos reduzir o número de conflitos entre grupos rivais e, brasileiros que nunca entenderam para que serve o futebol fora da Copa do Mundo, finalmente se interessariam por esse ou aquele clube.
O marketing que os clubes precisam “praticar” não é só aquele que traz ganhos financeiros ao clube, mas sim aquele que dá mais valor ao negócio.



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Quero aproveitar o espaço para lançar a candidatuta de Juvenal Juvêncio para o Prêmio Nobel da Paz!
É a nova Madre Tereza de Calcutá!
Comentário de João — 02/08/08 @ 0:15
o carnaval já acabou mas a “jogação de confete ” continua…
Comentário de Beto — 02/08/08 @ 0:45
Apoio inteiramente a candidatura Juvenal Juvencio para o Premio Nobel da Paz.Uma espécie de São Francisco de Assis redivivo.
Comentário de oberdan — 02/08/08 @ 0:53
É difiícil “ser” humano.
Quando vi que o Rui havia escrito, li com ansiedade. Fui “entrando” no texto, lembrando dos penduricalhos que coloquei nas portas dos quartos maternais quando meus filhos nasceram e dos que levei e tentei (intrometidamente) colocar, quando nasceram meus netos. Lembrei que de cada 10 camisetas no meu armário, 5 são do SPFC, entre as do time, de sócio torcedor, comemorativas, etc.
Quando o virtuoso texto passou à filantropia, meu sentimento mudou para o entusiasmo colaborativo. Deu-me vontade de comentar elogiando, egajando-me por inteiro, no “movimento”.
Chegou até a atenuar a raiva que senti pelo empate contra o S. Caetano.
Aí, vejo os três primeiros comentários publicados o foram de forma sarcástica. Um deles utiliza até o meu santo preferido, protetor dos animais, a cuja causa dou-me por inteiro, tendo uma filha médica veterinária dentro de casa.
É difícil “ser” humano. E conviver com gente assim…..
Só me resta, cair no lugar comum do que sempre digo ao que vem do Rui: Parabéns, meu caro.
Comentário de Luiz Antonio — 02/08/08 @ 3:47
Concordo em grau, gênero e número com o Rui Branquinho… Existem inúmeras ações sociais que um clube poderia tomar.
Poderiam ser feita uma parceria com a prefeitura para a construção de clubes em periferias, uma espécie de “Centro Esportivo”, mas com a grife do clube, com escolinhas para as crianças carentes, levando educação, lazer e oportunidade de crescimento a quem hoje não pode desfrutar de nada…
Comentário de Thiago — 02/08/08 @ 7:42
Excelente texto. Sempre achei que o SPFC poderia ter estampado na camisa algo como tem o Barcelona e o Boca Jrs. (UNICEF). Poderia ser Criança Esperança, APAE, AACD ou qq outra entidade que mereça apoio e divulgação.
Comentário de Luiz - Brasília — 02/08/08 @ 9:46
Entendi perfeitamente o comentário em que o blogueiro diz que o santo predileto dele é protetor dos animais.Faz sentido,
Comentário de oberdan — 02/08/08 @ 12:42
Apoiadíssima a idéia de associar a imagens de clubes de futebol a ações sociais relevantes. De fato não fazê-lo é desperdiçar uma chance enorme de melhorar muita coisa, dado o poder que a imagem dos clubes tem na mente de quase todos os brasileiros.
Parabéns por trazer o assunto, Rui!
Comentário de Filipe Buchmann — 02/08/08 @ 13:57
Esse oberdam aí é mesmo um babaca, não?
Comentário de Luiz Franco — 05/03/08 @ 1:24