A bola com chip
De Coca
A FIFA anunciou que vai testar a bola com chip - “a bola inteligente” - no próximo mundial de clubes, em dezembro, no Japão. O sistema também foi utilizado no Mundial Sub-17, no Peru, em 2005.
A decisão pode parecer contraditória. O presidente da FIFA, o suíço Joseph Blatter, afirmou que “o futebol precisa ter uma “face humana” e que o erro dos árbitros e jogadores são parte do jogo”.
Platini que compartilha da mesma visão conservadora, decidiu apoiar a decisão da FIFA, mas aproveitou a oportunidade para reafirmar que é contra o uso de vídeo pelos árbitros durante as partidas de futebol (fonte: BBC).
A Comissão da Associação Internacional de Futebol estabeleceu que o sistema deve respeitar os seguintes princípios: a tecnologia somente será usada nas decisões referentes à linha de gol; o sistema tem de ser 100% confiável; e a informação deve ser transmitida apenas ao árbitro em tempo real.
Como deve funcionar o sistema?
A tecnologia usada é chamada de RFID - Radio-Frequency Identification - em português significa Identificação por Rádio Frequência. Trata-se de um método de identificação automática através de sinais de rádio, recuperando e armazenando dados remotamente através de dispositivos chamados de tags RFID. Uma tag RFID é um pequeno objeto, que pode ser colocado em uma pessoa, animal ou produto. Ele contém chips de silício e antenas que lhe permitem responder aos sinais de rádio enviados por uma base transmissora.
No caso da “bola inteligente”, um chip é embutido no centro da bola e 10 antenas são instaladas no campo. 4 bases transmissoras são instaladas em volta do campo para recuperar os dados e transmitir a informação desejada.

Fonte: Cairos Technology
O uso do chip pode ser ampliado para os jogadores (seria inserido nas proteções ou chuteiras), seria uma oportunidade de coletar uma série de dados, combinado ao uso de um aplicativo para efetuar a gestão de performance de atleta e esquema tático de time, que poderiam ser de grande valia para técnicos.
Por enquanto, a FIFA está restringindo o uso do chip a bola. A informação se esta passou a linha de gol é transmitida em tempo real (menos de 1 segundo) para um dispositivo que mais parece com um relógio no pulso do árbitro.

É a combinação da tecnologia RFID com a técnica de triangulação (avaliar a distância de um objeto a partir de 3 fontes para determinar sua exata localização). Neste caso, como a FIFA tem como exigência a fiabilidade do sistema, a triangulação é feita com 4 antenas, o que incrementa uma terceira dimensão a avaliação dos dados recebidos. Caso uma antena falhe, não comprometerá o funcionamento do sistema.
Junto com o anúncio deste avanço tecnológico inédito, a FIFA decidiu ampliar o quadro de arbitragem com mais dois auxiliares. O local e papel deles em campo ainda não foi definido, mas podemos presumir que vão ficar em posição privilegiada para observar os lances que ocorrem em ambas grandes áreas.
Tudo indica que este sistema teria mudado a história do jogo da Inglaterra contra Alemanha ocidental na copa do mundo de 1966, quando, aos 12 minutos da prorrogação, o George Hurst chutou uma bola que explodiu no travessão e bateu na linha de gol. O árbitro não estava certo do lance, mas o árbitro assistente validou o gol.



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E há, ainda, uma utilização para este sistema que, na minha opinião, é revolucionária: ao implantar-se as tags nos atletas, teríamos a chance de, com uma pequena mudança na regra, acabar completamente com as dúvidas na marcação dos impedimentos. Como? Primeiro, altera-se a regra para estabelecer que impedimentos compreendam apenas as pernas do atleta (se ele estiver com a cabeça adiantada, não há impedimento); segundo, implantam-se as tags nas pernas ou chuteiras dos atletas; terceiro, um software analisaria a posição dos atletas e da bola durante o jogo e, ao detectar um impedimento, avisaria o árbitro - SEM CHANCE DE ERRO! Difícil? Pergunta para o pessoal da Konami, que desenhou um sistema de apuração de impedimento no Winning Eleven que consegue até detectar o impedimento no rebote do chute a gol!
Comentário de Tricolaco — 10/28/07 @ 13:22
A implantação de chips (ou tags) nas caneleiras do jogadores, ou chuteiras, já foi feita em algumas ocasiões. Por exemplo, no processo de desenvolvimento da chuteira T90, a Nike analisou movimentaçao de em campo para determinar perfis de jogadores.
Na minha opiniao, chips em jogadores podem ser uma ferramenta (combinado ao uso de software) muito útil para técnicos. Você pode analisar todos os detalhes dos 90 minutos de uma partida do ponto de vista estatístico, técnico, coletivo e individual. Se isso vai ser usado um dia para arbitragem, é até possível, mas torna o árbitro refém da tecnologia.
Comentário de Coca — 10/28/07 @ 14:34
[…] descartado pela International Board o uso do chip na bola para saber se entrou no gol ou não. Nem poderia esperar algo diferente. A Fifa comandada por […]
Pingback de Blog do Birner » Por que não o chip? — 03/09/08 @ 16:43